O porque da violência nos jogos

Seguindo a discussão da semana passada, onde eu tentei refutar da melhor forma que pude as alegações de que jogos podem aumentar a ocorrência de crimes violentos, decidi subir um pouco mais o nível das alegações. Afinal a maioria absoluta dos jogos tem violência.

Para começar acho que é importante definir de que violência estamos falando. Segundo o nosso bom pai dos burros Aurélio, violência inclui agressão moral e coesão. Um exemplo clássico: uma discussão entre amigos, onde um tenta convencer o outro de que está certo. Tentar mudar a opinião de uma pessoa sobre um assunto, mesmo que seja com argumentos completamente válidos e sem qualquer demonstração física de violência (gritar, gesticulação agressiva) pode ser considerada uma violência psicológica contra o estado atual da mente da pessoa que está sendo convencida. Afinal de contas ela está sendo coagida a acreditar em algo que ela não acreditava antes. Obviamente essa interpretação não deve levar a milhares de processos de um amigo contra o outro, já que é através desse tipo de discussão ou quebra de antigas crenças que as pessoas aprendem e melhoram no geral. Esse ponto é importante para notar que a violência está demonstrada em vários níveis de interação social, inclusive entre pessoas que se respeitam, guardada as devidas proporções. Não estou falando para você dar um murro na cara do seu amigo, porque as convenções sociais não estão invalidadas pelo meu argumento e existem níveis diferentes de violência, que cada pessoa determina se aceita ou não.

Analisando dessa forma, tirando raríssimas exessões, tudo que jogamos tem alguma forma de violência, mesmo jogos de esportes podem conter violência física em níveis em que a sociedade aceita tranquilamente no dia a dia. Por exemplo o choque entre dois jogadores disputando uma bola, é parte do jogo desde que não exista intenção de provocar um dano maior no adversário. Mais importante ainda: a violência está presente no dia a dia das pessoas desde muito antes de jogos surgirem. E a violência está presente nas mídias muito antes dos jogos aparecerem em nossas vidas. A industria de Games não foi a primeira a representar violência e não será a última, mesmo considerando que nos jogos a violência é feita para entreter, os filmes entretem com violência antes dos jogos surgirem.

E os jogos tem um diferencial muito grande quando comparado a televisão. Na televisão o espectador está a mercê da programação. Ele não escolhe o conteúdo que cada canal vai passar. Mas quando ele compra um jogo ele sabe exatamente o quê ele está comprando e a qual tipo de situação ele vai estar exposto. Então se alguem compra um jogo é porque ele quer ser exposto ao jogo em questão. Isso se chama liberdade. Se existe alguma pessoa que é incapaz de tratar o trabalho de ficção como ficção então essa pessoa deve ser tratada psicologicamente. Os jogos em si não devem sofrer restrições por culpa de uma condição psicológica compartilhada por um número infimo de jogadores.

Outro argumento que é importante é aquele de que se joga para se fazer coisas que não são feitas no cotidiano. E eu garanto que a maioria dos jogadores não mata no cotidiano. Mesmo quando eles tem vontade. E a vontade de matar, pelo menos de forma figurada, todos sentimos de vez em quando. Eu até brinquei recentemente falando que não sou violento porque projeto meus impulsos e frustrações nos jogos violentos. E tenho certeza que não sou o único que já pensou em algo assim.

E, finalmente, já foi provado pelas vendas inúmeras vezes que as pessoas gostam de jogar jogos violentos. Se não as pessoas não comprariam esses jogos. E é uma escolha delas. Ninguém as obriga a comprar jogos violentos. E os milhões de pessoas que compram e jogam vão dizer exatamente a mesma coisa. Então por favor, se você acha que os jogos são o grande estigma da sociedade do século XXI pare de pensar assim e passe a culpar a nossa sociedade como um todo, não apenas o criador de jogos que trabalha para levar para as pessoas o que elas querem com objetivo de diverti-las como eles querem se divertir.

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