O fomento à industria de games brasileira

Notícias recentes indicam que o governo federal finalmente tomou interesse em roubar investir na indústria brasileira de desenvolvimento de games. Aproveitando essa oportunidade vou falar aqui o que eu acredito que realmente falta nesse pais para que tenhamos uma industria forte de jogos eletrônicos.

O principal obstáculo que eu vejo é a falta de investimento. Sem dinheiro é impossível criar um produto, e como o Brasil não tem fatores de redução de risco (Ex.: equipes experientes, uma política nacional de fomento a indústria, mercado nacional autoconsciente) o investimento particular é extremamente improvável e raro. A taxa natural de mortalidade de empresas aqui no país também não encoraja bancos a colocar dinheiro em algo que parece não valer a pena. Na verdade aqui no Brasil existem dezenas de fatores de risco adicionais, mas não quero entrar nesses méritos. O fato é que reduzir os riscos aqui é fundamental para que possamos criar uma indústria de games.

Mas você deve estar se perguntando como reduzir esse risco. Isso não é tarefa fácil mas eu diria que o mais importante é aumentar a consciência da produção nacional de games para o consumidor final. Atualmente os poucos jogos nacionais que são feitos são ofuscados pelos grandes lançamentos internacionais, com os quais é impossível competir por enquanto. Existem bons jogos nacionais sendo feitos (estou com os jogos da Imagine Cup na cabeça) e lançados que simplesmente caem no esquecimento. Esse problema é algo cíclico que funciona assim: A mídia nacional fala apenas dos jogos internacionais porque os jogadores querem saber deles. Enquanto isso os jogadores querem saber dos jogos internacionais porque não sabem de mais nada alem disso. Sinto muito informar, mas o governo e as multinacionais não vão colaborar para fazer isso acontecer. O ideal nessa situação seria unificar a divulgação dos jogos nacionais em um único lugar. O que vou falar em seguida vai doer para muitos, incluindo minha modesta pessoa dentre as que sentirão a dor, mas é a verdade: O que os desenvolvedores brasileiros precisam é uma publisher totalmente dedicada ao mercado nacional, desde a produção até a distribuição e divulgação. Sem essa bandeira e sem essa ferramenta o mercado vai sempre continuar livre, leve e morto.

Last Hope: Finalista da Imagine Cup 2010. Não é um jogo fenomenal mas a equipe tem potencial.

Sei que existe uma dificuldade em unificar as poucas empresas que existem porque cada uma vai tentar puxar a corda para seu lado, e algumas delas têm mais recursos que outras, o que tornaria a competição inexistente. Mas é fundamental criar uma instituição que coloca a produção nacional na frente de tudo. E como ninguém trabalha de graça esse papel teria que ser de uma publisher. Digo apenas uma publisher por enquanto porque é bem provável que disputa entre publishers no começo não seja saudável pro nosso mercado, porque a mídia pode se dividir e ser monopolizada por uma ou por outra. E a idéia é fazer com que os brasileiros saibam dos jogos brasileiros. Se a mídia especializada tomasse essa iniciativa seria melhor para os desenvolvedores. Uma ou duas páginas mensais falando de um jogo desenvolvido aqui é tudo necessário no começo. O importante é responder a pergunta: Onde estão os jogos nacionais? E tem mais: trazer investimento externo, como por exemplo, publishers multinacionais também não ajuda muito e já foi visto mais de uma vez que não funciona ou que funciona muito mal. Mas o motivo do fracasso das multinacionais é basicamente o mesmo motivo do fracasso de qualquer tentativa de origem nacional: a burocracia.



Eu poderia ficar por horas discutindo isso, mas acho que esse é o ponto mais crítico. O Brasil está atrás em termos técnicos porque não tem equipes inteiras com experiência para desenvolver jogos AAA em tempo hábil, e em desvantagem econômica porque não tem poucos investidores e a burocracia sufoca os poucos que existem. Cabe a nós como um grupo tentar superar essas dificuldades, ou então nossa indústria ficará consumindo produtos internacionais eternamente. O mercado externo provavelmente será superior sempre, mas acho que falo por muitos quando digo que vamos ter uma grande satisfação ao ver jogos “Made in Brazil” respeitados.


Nota do Autor: Peço desculpas por não publicar semana passada. Devido as atividades da última semana de aulas na faculdade fui incapacitado de dedicar tempo a escrever qualquer coisa.

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