Representação atômica de sólidos

Nesta semana falarei desse tópico que está sendo tão discutido por todo mundo. Para aqueles que não sabem uma empresa australiana divulgou um Tech Demo (demonstração de tecnologia) de uma engine gráfica capaz de criar gráficos através de representação atômica de sólidos. No método tradicional de representação de informação gráfica os sólidos são convertidos para polígonos. O polígono mais simples e mais utilizado é o triângulo, mas outros podem ser utilizados para esse propósito. No sistema demonstrado no vídeo os sólidos são constituídos de átomos, basicamente da mesma forma que corpos na vida real. 

O principal problema da representação poligonal é que não existem coisas realmente redondas. No fim um polígono nunca será redondo da forma como imaginamos as coisas redondas na vida real, entretanto com uma quantidade suficientemente grande de polígonos podemos sim representar objetos redondos em todos os aspectos práticos. Na verdade com uma quantidade suficientemente grande de polígonos podemos simular os visuais propostos por essa engine atômica aproveitando os 15 anos de desenvolvimento técnico voltado para os sólidos poligonais.

Vocês devem ter visto o vídeo e se perguntaram por que essa tecnologia não é utilizada hoje em dia. A verdade é que os efeitos de partículas (fumaça, fogo, basicamente qualquer efeito representando uma dispersão de partículas no ar) dos jogos atuais são feitos usando a versão “crua” dessa representação atômica. Até recentemente acreditava-se que representar sólidos através de átomos consumiria uma quantidade de memória inviável. O que o criador dessa engine diz ter feito é solucionado esse problema criando métodos que fazem com que uma quantidade menor de informação seja consumida por átomo. Isso talvez viabilize a aplicação dessa tecnologia em casos mais amplos, alem dos efeitos de partículas. Outro problema é criar a informação de animações para os sólidos representados de forma atômica, que é outro problema que a desenvolvedora alega estar trabalhando.

A verdade é que antes do mercado de jogos se beneficiar dessa tecnologia outros ramos o farão. Por exemplo, o ramo de animações computadorizadas. O principal fator é que para ser aplicada em um jogo a tecnologia tem que estar muito bem desenvolvida e otimizada, porque não são apenas os gráficos que estarão sendo processados durante o jogo. E como não existe hardware especializado para utilizar essa tecnologia então toda essa carga seria jogada no processador, sem aproveitar em nada a capacidade de todas as placas de vídeo já em uso atualmente, ou aproveitando-as de forma limitada se comparado ao quê acontece hoje em dia. O propósito de se ter uma GPU são todas as otimizações que ela possui para realizar as operações com polígonos. Eu não sei o quão grande seria o desperdício dessa capacidade, e os desenvolvedores da tecnologia também não sabem, mas existirá perda com certeza.

Em suma acredito que essa tecnologia é redundante. No momento é muito mais vantajoso continuar pensando em seus polígonos de três ou mais lados do quê apostar em aproveitar essa tecnologia nesse momento. Afinal ela não está disponível ainda e os polígonos servirão seus propósitos por muito tempo ainda. Por fim aproveite o vídeo, afinal de contas mesmo com todas as ressalvais ainda é bonito de se ver.


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